Tratamento e cuidado para Lipedema e Linfedema
Abordagem completa e abrangente para quem apresenta inchaços e gordura localizada nos membros superiores e inferiores, com ou sem dor local.
O que é Lipedema?
O Lipedema é uma doença crônica e inflamatória do tecido adiposo subcutâneo que afeta predominantemente as mulheres. A terapia conservadora multidisciplinar é o tratamento padrão, mas oferece alívio limitado dos sintomas.
Estudos recentes sugerem que o histórico familiar de lipedema é bastante comum, com estimativas variando de 30% a 89%, o que indica uma forte influência genética na doença. Casos de lipedema em crianças com menos de 10 anos estão quase sempre associados a um histórico familiar positivo da doença.
É provável que o risco de lipedema seja influenciado por múltiplos fatores, e o início da doença pode ser desencadeado por uma interação complexa entre causas ambientais, hormonais e outras exposições. A suscetibilidade das mulheres a esses gatilhos provavelmente depende de sua predisposição genética1.
A influência dos hormônios no lipedema é complexa e ainda não totalmente compreendida. O lipedema afeta quase exclusivamente mulheres. Curiosamente, relatos de casos raros de lipedema em homens estão associados a condições caracterizadas por níveis elevados de estrogênio e baixos de testosteronaincluindo hipogonadismo, obesidade e doença hepática avançada.

Sintomas mais comuns
O Lipedema atinge mais de 12% das mulheres no mundo, embora a maioria permaneça sem diagnóstico correto, tratada apenas como obesidade comum, apesar de também acometer mulheres magras, estas, muito subdiagnosticadas. No Lipedema, a gordura se acumula de forma simétrica nas pernas, coxas, quadris e, por vezes, nos braços, quase sempre poupando mãos, pés e tronco.
-
Pode ser dolorosa ao toque.
-
Forma nódulos firmes sob a pele.
-
Resiste à dieta e ao exercício de um jeito que a gordura comum não resiste.
Os sintomas frequentemente surgem ou se agravam durante períodos de oscilações hormonais significativas, na puberdade, durante a gravidez e lactação, na menopausa ou com o uso de hormônios, como anticoncepcionais orais.
Referências
1. Faria,A.M., Valerio, C.M., Barcellos, C.R. etal. Unraveling lipedema: comprehensive insights and the path to future discoveries. NPJ Metab Health.2026.
“Se o Lipedema fosse, de fato, apenas obesidade localizada, dieta e exercício deveriam resolver o problema.”
Dra. Camila Naif
O que é Linfedema?
O Linfedema é um inchaço que ocorre quando há acúmulo de líquido nos tecidos do corpo. Esse líquido é rico em proteínas e, normalmente, é drenado pelo sistema linfático.
O sistema linfático é uma rede de vasos e linfonodos que auxilia na drenagem de líquidos e no combate às infecções. Quando esse sistema é danificado ou sofre uma obstrução, o líquido não consegue ser drenado adequadamente, causando inchaço.
O Linfedema afeta mais frequentemente os braços ou as pernas, mas também pode ocorrer na parede torácica, no abdome, no pescoço ou nos genitais.
Tratamentos contra o câncer que envolvem a remoção ou lesão de linfonodos são uma causa comum de linfedema. Outras obstruções ou lesões no sistema linfático também podem levar a essa condição. O linfedema pode ter origem hereditária ou surgir sem uma causa conhecida.
Em termos absolutos, projeta-se que de 3 mil a 5 mil pacientes por ano, no Brasil desenvolverão linfedema, apenas em decorrência do tratamento do câncer de mama. Cirurgias com esvaziamento de linfonodos pélvicos/inguinais são a segunda maior causa conhecida de Linfedema oncológico no Brasil, afetando membros inferiores. Os cânceres ginecológicos, melanomas e próstata são os mais passíveis de risco de linfedema. Embora não tenhamos uma estatística oficial, extrapolando os números das fontes públicas como o INCA e a literatura sobre o assunto podemos ter a seguinte síntese²:
| Tipo de câncer | Novos casos/ano no Brasil | Taxa de linfedema relatada |
|---|---|---|
| Mama | ~73.600 | 9% a 40% (geral); 24-49% pós-mastectomia |
| Próstata | ~71-72 mil | Sem % nacional consolidado |
| Colo do útero | ~17.000 | ~17,5% |
| Corpo do útero | ~7.840 | ~17,7% |
| Ovário | ~7.310 | ~7,1% |
| Melanoma | ~8.980 | 12% a 38% (só em quem faz linfadenectomia) |
Menos comuns nas áreas urbanas, a elefantíase, cientificamente chamada de filariose linfática, é uma das causas de linfedema, sendo que em 2024 o Brasil obteve a certificação de eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública.
A doença é causada por vermes parasitas transmitidos por meio da picada de mosquitos infectados. Uma vez no organismo humano, essas larvas migram para o sistema linfático, onde se desenvolvem em vermes adultos e podem viver por vários anos, obstruindo progressivamente os vasos linfáticos. Essa obstrução crônica impede a drenagem adequada da linfa, levando ao acúmulo de líquido nos tecidos — o linfedema.
Sintomas mais comuns
-
Inchaço: geralmente só de um lado, fazendo com que um membro fique maior do que o outro.
-
Sensação de peso ou fadiga: cansaço e rigidez na região afetada.
-
Aperto incômodo: dificuldade para movimentar articulações ou sensaçãode que roupas, sapatos, anéis e relógios estão apertados.
-
Alterações na pele: pele mais grossa, endurecida (fibrose), ressecada ou com textura semelhante ao couro nos estágios mais avançados.
-
Dor ou formigamento: desconforto leve ou pontadas no local do acúmulo de líquido.
-
Maior propensão a infecções: infecções de pele recorrentes na área inchada, como erisipela ou celulite.

Referências
2. Linfedema Secundário ao Tratamento Oncológico: O que é importante saber. Grupo Brasileiro de Melanoma. Disponível em https://gbm.org.br/2024/10/28/linfedema-secundario-ao-tratamento-oncologico-o-que-e-importante-saber/
“Operamos pacientes que fazem o tratamento clínico e não respondem. Se não tratado, o líquido que está represado vai gerar uma infecção crônica, uma deposição de gordura e o inchaço do membro.”
Dr. Eduardo Montag
Como é feito o diagnóstico?
Tanto nos casos de Lipedema, quanto nos de Linfedema, o diagnóstico é essencialmente clínico, onde o médico deve realizar a palpação da região para identificar a origem da gordura local. O formato do corpo também já denuncia que aquele membro se apresenta com um inchaço diferente, seja do acúmulo da gordura ou do líquido.
A história do paciente e suas queixas (dor, vermelhidão etc.) fazem parte deste diagnóstico, mas exames de imagem podem ser solicitados para os casos de linfedema como:
-
Ressonância magnética
-
Tomografia computadorizada
-
Ultrassom
-
Linfocintilografia
A linfocintilografia é essencial nos casos cirúrgicos para direcionar o médico nos pontos de lesão e obstrução no sistema linfático.


Conheça os tratamentos para Lipedema e Linfedema
Lipedema e Linfedema são condições que não têm cura, mas o tratamento pode ajudar a reduzir, dar mais conforto e bem-estar e prevenir complicações.
Os tratamentos incluem a terapia conservadora e a cirurgia.
A terapia conservadora descongestiva complexa é o tratamento padrão, mas oferece alívio limitado dos sintomas.
Ela é composta por:
-
Drenagem linfática manual: uma massagem com movimentos suaves e específicos que direcionam o líquido acumulado em direção aos gânglios linfáticos que estão funcionando normalmente.

-
Terapia compressiva: uso de enfaixamentos com bandagens de estiramento curto (na fase inicial) e, posteriormente, de braçadeiras ou meias elásticas de compressão. Isso impede que o líquido retorne ao membro.
-
Exercícios terapêuticos: movimentos específicos realizados de preferência com a compressão instalada, onde a contração muscular ajuda a bombear a linfa para fora do membro.
-
Cuidados com a pele e unhas: hidratação e higiene rigorosa para evitar ferimentos, frieiras ou rachaduras, já que áreas com linfedema têm a imunidade local reduzida e são altamente propensas a infecções graves (como a erisipela).
A cirurgia pode ser uma opção para algumas pessoas quando o Linfedema e o Lipedema não melhoram com outros tratamentos. No entanto, a cirurgia não é indicada para todos³.
Nossos especialistas precisam avaliar cuidadosamente o quadro clínico do paciente para verificar se a cirurgia é viável e se há probabilidade de trazer benefícios.
Em um estudo da Technical University Munich, na Alemanha, com várias mulheres sofrendo com Lipedema, em praticamente todas a lipoaspiração resultou na redução da dor, dos hematomas e do inchaço. Outros benefícios também foram observados, incluindo a diminuição da frequência e da gravidade das crises de enxaqueca.
A lipoaspiração pode proporcionar um efeito positivo duradouro em pacientes com lipedema, levando a um aumento significativo na qualidade de vida. A lipoaspiração é uma abordagem promissora em relação à terapia conservadora no que diz respeito à redução significativa da dor, com segurança razoável.
O tratamento do Linfedema segue a mesma lógica conservadora, mas quando se é indicada a cirurgia, não se trata apenas da remoção de gordura pela lipoaspiração. Há diferentes técnicas que são realizadas.
-
Transplante de linfonodos: os linfonodos funcionais são retirados de outra parte do corpo e conectados aos vasos linfáticos do membro afetado. Isso pode melhorar a drenagem e reduzir a necessidade de terapia de compressão nos estágios iniciais.
-
Criação de novas vias de drenagem: é feita a conexão de vasos linfáticos a vasos sanguíneos próximos. Isso permite que o líquido seja drenado pela corrente sanguínea, em vez de passar pelo sistema linfático obstruído.
-
Remoção de tecido endurecido: em casos de linfedema grave, o tecido fibroso ou espessado pode ser removido para melhorar a mobilidade e o conforto. Isso pode ser feito por meio de lipoaspiração ou, quando o Linfedema está muito avançado, pela remoção cirúrgica da pele e do tecido endurecidos.

Referência
3. Podda, Maurizio et al. Liposuction versus conservative therapy for patients with lipoedema in Germany: a multicentre, randomised controlled clinical trial. The Lancet. 2026.
Como faço para saber se esse é o meu caso?
Converse com nossos médicos e descubra a melhor recomendação para o seu caso.
Equipe médica
Os cirurgiões plásticos Camila Naif e Eduardo Montag são especializados no tratamento clínico e cirúrgico do lipedema e linfedema.
No Brasil, poucos especialistas se dedicam aos cuidados dessas condições.

Especialistas do Instituto de Lipedema e Linfedema
Dr.ªCamila Naif (CRM/SP 140671) e Dr. Eduardo Montag (CRM/SP 90783)
Comece por aqui